Auto – Equilíbrio

 Perplexidade, palavra substantiva feminina, abandonada no meu cardápio linguístico, ainda, em tenra idade.
Esta relação acabou com os anos que carrego. Desde de muito novo, habituei-me a ser desconfiado perante as mais diversificadas oportunidades que a sociedade alvitrava. Vendas, ofertas, trocas, dádivas, promessas; tudo que desse para ser enganado e enganar, e, como Todos, também fui manipulado e manietado, conferindo-me um estatuto apropriado à idade; a negação ao facilitismo.

Hoje, somos confrontados, numa amplitude maior do antes, engenhosamente, por uma agressiva e dúbia publicidade. Mas lá diz o ditado; “A curiosidade matou o gato”; e continua nos dias de hoje.
Isto para louvar a minha relutância à entrada no nosso mercado das, “Pulseiras Power Balance”. Leio que a empresa, (Espanhola), foi multada por “publicidade enganosa” pela venda deste, “milagroso” artefacto.

Neste verão a minha filha foi tentada a adquirir a pulseira que, supostamente, equilibraria o seu QUOTIDIANO, emocional e relacional.
De nada lhe valia os meus argumentos de vida, não fosse o caso, aquando da solicitação do preço numa farmácia local. Entrara calma e bem disposta, saísse da mesma pronta a consultar um daqueles médicos que arrumam as ideias. Foi salva, pelo valor de 35€, mas confrontada, com um outro valor, de 5€, numa loja, chamamos nós, dos 300. Diferenças entre ambas? Para além da muito bem estruturada publicidade, o selo que a mais cara continha imprimindo a veracidade à mesma.
No mesmo dia, estávamos numa esplanada a apreciar o corrupio das gentes, quando um jovem pára em frente a mim, a mirar a TV. Reparo no seu pulso que continha a tal “Power Balance”. Afoito, pergunto-lhe se sentia os efeitos da pulseira; resposta: - “olhe chefe a única coisa que senti foi os €€€€ saírem do bolso, mas dizem que faz efeito". – após esta resposta, a única coisa que os meus acompanhantes me disseram foi. – “tens uma lata !!!”. – O jovem voltou para me confirmar a veracidade da “Power Balance” pelo selo que ela continha e do saber da sua utilização. “Mas como contra factos não há argumentos”, a minha filha lá se convenceu.

Hoje prova-se, com os meus anos de conhecimento, que tudo não passa de uma acérrima oferta de bens inúteis à nossa condição humana. Para sermos equilibrados, temos de saber estar na sociedade, falar, pensar, perguntar, tolerar, etc. ect. ect. Não precisamos de “milagrosos” artefactos ou pastilhas para sermos felizes. Podia aqui explanar mais a vertente do conhecimento, da condição humana, manipulação da mente e dos homens, mas não é este o objectivo, mas sim o sermos capazes do Auto-Equilibrio sem ajuda de terceiros ou mezinhas.
A nossa mente é manietada por força da nossa curiosidade, ganância e facilitismo.
Trata do teu ser para te tornares um ser supremo.

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