Quase era Natal….

Na minha cidade, (Porto), ontem foi invadida por, 17,721 mil, aspirantes a Pais Natais, número superiormente superado ao do ano passado, 15 Mil. A cidade embeleza-se de vermelho, destoando o azul desportivo, à 3 Anos consecutivos, no objectivo de alcançar o seu recorde Mundial, no afamado livro de recordes.

Em conjunto com a minha prole, contribuí em todos os objectivos, numa interior satisfação vermelhante, expondo-a, uma vez por Ano, na minha cidade. Uma alegria dobrada.
Sinto-me contagiado, pela emoção de outras eras, na beleza estampada nos rostos, dos pequenos corações que ainda dão um sincero sentido à época Natalícia. As crianças. Também era assim no meu tempo embora nós não precisássemos de desfiles para dar brilho à data.
São eventos de real envergadura, perdoados a qualquer deslize, no contrário às modernices cada vez mais, a encaixar no nosso espírito. Reparos sem esperança de sucesso.

Proponentes em organizada formação, aguardam a partida que seria para as 14h30. A considerarmos o número de candidatos, aceitava-se um quarto de hora e não meia hora, mais pela impaciência dos petizes, e dos próprios animadores que já lá se encontravam desde as 13h.
Heróis, do monstro económico, descontextualizados do pretenso evento, desafiam ao consumismo. Uma destas personificações, representava o querido sapo, sabendo os autores da enorme idiolatria desta representação junto dos consumidores.

A música ritmada, apesar de dançada, nada tinha a ver com o Natal. Todos nós conhecemos enorme quantidade musical direccionada ao evento e festa. Tirando este modo de animação, restou-nos contribuir com panfletos e artefactos insufláveis, dos vários patrocinadores do evento.
Houve quem seguisse o desfile em varandas, passeios ou carros, talvez julgando quem nele participava ou por simples desconhecimento da causa. Eu senti-me triste por enveredar num evento que de natal só mesmo o fato e um livro, (Um Cântico de Natal), já não contabilizo a ausência da minha companheira, de vida, que por razões laborais faltou.
Foram precisas duas horas para o meu grupo terminar, a solidária acção, passando a linha de contagem. Ofereceram um diploma de participação, concluindo desta forma a nossa dissimulada actuação natalícia.
Para mim, tudo se perdeu, senti um expectante esvaziar, nas mentes de quem realmente seguia e assistia o cortejo em espírito natalício. A alegria deu ares de mais um cumprimento às ordens do chefe, para fins comerciais e estatísticos.
Vontade cumprida sigo para casa não havendo mais a fazer por estas bandas.
 O Porto cai novamente naquela decadente imagem regional, entregue a si e aos seus Tripeiros, cabendo a alegria nestas iniciativas, no contrário pouco nos resta  para júbilos.
Mais um recorde tripeiro superado, desinteressante para os interessados aglutinadores do pouco que nos resta, esses que agora podem atacar à vontade, com mensagens, visitas ao domicílio de quem neste participou com pré inscrição que nada valeu para a participação.

Pai Natal aquele homem de barbas brancas acompanhado das suas oito renas, que descia pela chaminé, depois de uma longa viagem desde a Lapónia, para distribuir prendas aos meninos que o aguardavam em ansiosos sonhos, transfigura-se, cada vez mais, ao som de descontextualizada música, recordes estatísticos e de excêntricos sonhos.
Foi neste sentimento que a minha participação se saldou, salvaguardada pelos olhares de crianças, que a meu lado corriam, e me fizeram lembrar o natal familiar e modesto que sempre tive.


porto invadido por Pais Latal
Os Pais Natal



um Sapo Natal
Sapo Natal



o meo Pai Natal
O meo Natal





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