Julguemo-Nos


Hoje testemunhei um fortuito encontro entre um familiar e outra face que não a da sua pertença.
Acompanhado, tremi, solucei e até corei sem razão aparente. O incauto pouco me diz, mas diz-me quem com ele partilha a vida. Sim essa a razão da minha estupefacção. Pobre ausente, que nem sonhara tamanha traição, naquele dia igual a outros, iria desenterrar um passado, supostamente, esquecido.

Nada, de mais foi visto é verdade, somente o conhecimento de um, ardente, passado entre os protagonistas do encontro.

Inquieto sem saber o que fazer, perante esta testemunhada atitude, senti uma vontade descontrolada, em agir. Julguei, incriminei e reprovei com pensamentos e estórias, ocupando o meu imaginário, esquecendo o Eu. Nesta visão só mesmo grave é o facto de quem estava proibido de o fazer, por um passado vigiado em declarações amorosas entre os seres agora amigos. Os sentimentos não são de igual formatura, cada Ser molda-os conforme a sua predisposição.

Traição é a evidência deste reencontro, em posteriores mentiras atiradas ao encontro de encruzilhados caminhos.

O descuidado assume enfrentar a situação, mesmo que obrigado, com a sua assumida face. Aquela que o aguarda ansiosa de o ver, por perto, como tantos outros Seres. Em receios, de tudo perder, assume o descontrole originado, embrenhando-se em inexistentes pretéritos, ludibriosamente aparenta derrotismo da causa, conseguindo um tempo para pensar e deixar pensar.

O desfecho deste percalço é o entendimento e tempo para pensar e perdoar.

Como puderam ler, esta situação é o nosso QUOTIDIANO, não é uma estória antes um facto passado aos meus olhos. São tantas, umas conhecidas, na maioria ocultadas por boas aragens, que de certo modo fazem o dia-a-dia de cada Ser.

De muitas há uma questão a tecer. Quem somos para julgar tal atitude ou carácter? Eu digo ninguém. Ninguém pode atirar a primeira pedra, correrá o risco de esta fazer ricochete no próprio. Todos temos um pouco de loucos e Todos julgamos a loucura dos outros, deslembrando a nossa.

Desimpedimos o caminho nos outros, sejam Amigos, Parentes ou, simplesmente, Conhecidos, pelo sentimento da injúria, calúnia, traição ou erro, fórmula geradora de guerras internas e pessoais. Nunca nos vamos conciliar sem antes desculparmo-nos nos desaires de cada Um, sendo estes, provocados por Nós e não da Existência.

Deste ocular testemunho, fiquei triste e logo reprovei a atitude, por se tratar de quem eu sei, sabendo quem não o merecia. Todavia interiorizei e reflecti nas minhas próprias acções, conclui que o melhor seria ajudar, sem reprovação ante o carácter de ambos, os Seres em questão. Um ferido de alma e o outro surpreso pelo testemunho do flagrante encontro.

Com este depoimento, na primeira pessoa, sugiro que não Julguemos sem antes nos Julgarmos. As nossas raízes ditam que é mais fácil apontar do que ajuizar, mas são tendências que Todos podemos mudar, basta querer ou teimar neste paradigma.
Escrever ou falar é fácil, agir é difícil. Eu já comecei e com isto não sou mais do que Vós, somente já comecei.

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