Um Acto Repetido

queixas e protestos
Queixas e Protestos
Desde que, Me conheço como Ser-Pensante, ouço constantes e Universais queixumes sobre a Vida e da vida do outro. De pequeno sentia o descontentamento familiar sobre a evolução política, na adolescência lamentávamos as proibições, próprias da idade, para certas aventuras, agora adulto prossigo, neste chorrilho lamuriante, entre pretéritos e presentes estádios de Vida.
O acto de queixar é já uma arte e parte itinerante do Homem que, consoante o seu desenvolvimento intelecto e sociocultural, o enquadra na vida ou sociedade, amoldando um palco plangente, ante a sua própria plateia. Todos Nos queixamos de qualquer coisa, por vezes com razão, noutras por incómodo prazer, todavia pintamos a Nossa passagem com despropósitos queixumes.

No meu grupo familiar constava-se que a vida, política, (Global), não estaria a levar o seu melhor rumo; certo que nunca me faltou mesa, cama, roupa, carinho, formação cívica e companhia para as brincadeiras. Graças a Deus! Nesses maravilhosos anos, (do meu crescimento), discutia-se a implementação das democracias em, (quase), Todo o sistema politico Nacional, Europeu e Mundial, ansiando pensamentos daqueles que, de um pequeno terreno, retiravam o seu mata-fome para a família e a quem nada tinha.
Na adolescência, já na bonança política, Europeia, continuávamos contentes com o mínimo que os Nossos nos ofereciam, (....), quase sem “cheta”, existia Amizade, respeito e partilha, companheirismo que, pela falta de quantidade, contava tostões uns dos outros para um café ou algo proibido para a idade. No geral era o único queixume. Actualmente as queixas aumentaram e actualizaram-se, face ao antes, fruto do abruto desenvolvimento, das Economias, satisfazendo Sociedades e Culturas, porém com desastrosas consequências.
São as preocupantes responsabilidades laborais, económicas, sociais e familiares que distinguem os lamentos aqui sintetizados. As Sociedades encontravam-se unidas, agora são discordantes no pensamento colectivo que, pela facilitada oferta Monetária, assola a insatisfação, em cada Ser, na busca de melhor comodidade individual. As famílias lutam pelo melhor, para as suas crianças, causando disfunções familiares para amanhã, essas errantes sementes secas de esperança e Amor, recaírem nos seus próprios mestres, onde macabramente, os satisfarão, com as parcas reformas ou economias de uma vida de trabalho, os seus modernizados costumes. Neste engendrado pantanal sobrevivem os poderosos cada vez mais famintos do domínio monetário e surdos a actuações justas e igualitárias.

De olhos vendados assistimos e aplaudimos a este acto repetido, esquecendo o lado triste do vizinho, que nada tem, mesmo com ajuda, que nunca chega, dos impérios de betão. Apregoa-se a favor deles, todavia a pergunta repete-se; porque não acaba a fome, miséria, doenças; porque continua a haver desigualdades Sociais? Perguntas para ouvidos moucos, ao longo da minha percepcionada Vida.
Testemunho uma Vida de lamentos, adequados ou não, numa persistência Humana, representativa no seu próprio Viver. Regidos neste acto Mundial cada vez mais sombrio, carregado de um ideal egocêntrico, estando a partilha, de outra hora, esvaída no efémero lamento individual. Mas queixo-Me de quê e sobre quê? Não ter mais “Money” que satisfaça o Meu ego? Queixo-Me do patrão que paga o meu contributo, quando o meu vizinho chora todo o dia porque não tem que comer? São estes choros que Me incomodam e aquelas desumanas atitudes que destroem a fonte da Nossa vida.
Sou um Ser falacioso. Também Eu me queixo sob análogos prantos, não deixo de me lamentar por tudo e por nada, com razões ou sem elas andei e continuo a olhar só para Mim.

Deixem-Me viver só da Terra e ouvir-me-eis bradar às raízes do infortúnio.

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