O Sonho Chamado Pai Natal

Apesar do meu quase meio século de vida, ainda vivo de sonhos. E como dizia o poeta, de pseudónimo, António Gedeão, “O sonho comanda a Vida”.
A figura do Pai Natal, apesar de inúmeras lendas, não deixa de ser uma ficção real em cada um de nós, Pais, Mães, Filhos, Amigos…… Nós somos aquilo que queremos ser, isto é incontornável. Pais Natal todos gostavam de o ser mas nem todos o podem ser. Existem, milhentas, formas de o tornar real, pelo AMOR, AMIZADE, TOLERÂNCIA, PERDÃO, etc., um sem número. Mas nem TODOS o querem figurar. Eu tento e ajudo a tentarem.

Ironicamente, este Ano, já escrevi ao Pai Natal, onde aludo ao supérfluo. Nada de anormal, se atendermos aos luxos presenciados nas nossas TV’s e afins.
Como adoro o conceito, da partilha, vou partilhar convosco a minha carta, tendo sido ajudado, pela minha Daniela, uma vez que sozinho a não conseguia escrever e tudo por culpa da minha falta de originalidade em pedidos.

Meu querido Pai Natal, informo-te da minha lista de prendas para o Natal; dinheiro vivo, cheques ou transferências bancárias; roupa de marca; telemóveis, (só topos de gama), automóveis, (somente estas marcas), Seat, Volvo ou Audi; vivendas de luxo.
ATENÇÃO, não aceito nada de lojas dos chineses ou suas congéneres. Desenaraça-te e boa distribuição.

Irónicos sonhos, bem verdade, mas nada impossível, basta, para tal, deixar que o sonho comande a, nossa, vida e daí tirar partido do antes. Lembrar-nos que com pouco se foi e é feliz, aceitar-nos essa felicidade, repudiando o materialismo.
Quem não desejaria esta lista, acredito que poucos, e, estes poucos podem dar o melhor que têm, de modo a transformar esta forma de pensar no VIVER, à mais Bela Festa, o Natal.

Hoje não vou desvirtuar esta personagem mítica. Quero ser o menino de outras horas, aquele que colocava um sapato, junto da lareira da Avó, na ânsia de o ver acompanhado de um pacote-surpresa. Que se deitava impaciente e acordava expectante. Desembrulhada a oferta corria a mostrar aos outros, meninos, o que o Pai Natal lhe tinha trazido. Sentia-se triste, ao ver que sua era mais simples da do outro, porém outros sapatos continuavam sós. Nesta idade ignorava-se o sentimentalismo em prol do agradecimento, convívio e Alegria.

Já não é assim, quase não se perdoa o Pai Natal, pelo atraso da viagem, dificuldades financeiras ou por mal comportamento do menino. Hoje exige-se, ao nosso querido, que traga um GRANDE embrulho, melhor da do vizinho, se possível mais caro e invulgar.
O Pai Natal já nem direito tem às suas músicas favoritas, ao seu trenó e suas renas, há, quase, inexistente chaminé, mas à azáfama, intolerância, incompreensão e extravagância. Mas eu continuo a acreditar na sua visita ao meu sapatinho, onde juntará um pequeno pacote que adoçará o meu dia de abertura das lembranças.

Na minha quota-parte continuo a ser o menino, do antes, à espera dos Pais Natal, mesmo que atrasados cheguem, acompanhados da sua trupe ao som das mais belas canções, por nós criadas há muitos séculos. A Família e Todos que comigo queiram Viver.

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